sexta-feira, 11 de junho de 2010

Trousseau transforma conceito de cama, mesa e banho

Há 19 anos, marca se destaca com qualidade, atenção aos detalhes e ligação com a moda

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing 
sylvia@mundodomarketing.com.br

Dedicação e atenção aos detalhes. Essa é a fórmula de sucesso da Trousseau, sinônimo de luxo no segmento de cama, mesa e banho brasileiro. Fundada há 19 anos, a empresa tem como principais pilares a qualidade da matéria-prima, o envolvimento emocional da marca com seus consumidores e a ligação com a moda. Lançando duas coleções a cada ano, a Trousseau mostra que é possível “vestir” a casa e seguir tendências.
A coleção Inverno 2010, por exemplo, foi inspirada na Toscana, na Itália. O catálogo, além de fotos dos produtos, traz seções especiais nos moldes de uma revista, com dicas turísticas e gastronômicas sobre a cidade que serviu de cenário para a publicação. O cuidado com tudo o que envolve a marca, desde os produtos, passando pelos pontos-de-venda e o treinamento da equipe de colaboradores é uma característica presente na essência da empresa desde o seu nascimento.
Como a grande maioria dos cases de sucesso, a Trousseau é resultado da observação de uma oportunidade de mercado. A companhia nasceu para oferecer aos consumidores brasileiros um mix de produtos diferenciados, ainda não encontrados por aqui e, muitas vezes, trazidos do exterior. “No começo foi difícil. Eu tinha apenas 21 anos, mas era muito centrada. Abria e fechava a loja todos os dias”, conta Adriana Trussardi, que criou a Trousseau ao lado do marido Romeu Trussardi, em entrevista ao Mundo do Marketing.
 Vendas crescem 10% ao ano
A família Trussardi já era experiente no segmento. Os pais de Romeu fundaram a indústria de enxovais que leva o mesmo sobrenome, o que contribuiu para o desenvolvimento da Trousseau, que em francês significa enxoval. “A princípio, eu ia à casa de pessoas conhecidas montar as camas. Isso gerou boca a boca e deu mais destaque para a Trousseau. Depois de dois anos, pudemos abrir a segunda loja”, diz Adriana (foto).
Hoje são 22 unidades, todas próprias, espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Salvador, além da loja virtual, lançada em 2008. A opção por não adotar o modelo de franquias garante que todos os pontos-de-venda sigam rigorosamente o padrão de qualidade da marca. O resultado tem sido um aumento de 10% a 15% nas vendas dos últimos anos.
Em 2010, a expectativa é manter o mesmo ritmo de crescimento, sempre inovando no setor em que atua. “Não existem concorrentes no mesmo patamar. Há excelentes trabalhos em cama, mesa e banho, mas não no alinhamento da Trousseau”, aponta Carlos Ferreirinha, Presidente da MCF Consultoria & Conhecimento e que já realizou treinamentos da equipe Trousseau.
 Trousseau para os pequenosA liderança no mercado, no entanto, não é motivo para acomodação. “Quando se olha o produto, não há concorrência. Mas o próprio mercado de luxo acaba sendo o concorrente, já que os consumidores podem optar por outro tipo de bem”, acredita Vanda Dias, Gerente de Marketing da Trousseau, em entrevista ao Mundo do Marketing.
A necessidade de manter a competitividade e expandir a marca levou a Trousseau a explorar novos caminhos. Desde o ano passado, a empresa investe em sua linha de Homewear e na Trousseau Petit, extensão da marca para produtos infantis. “A partir de 2009, o Homewear passou a ser praticamente uma subloja e hoje é responsável por 8% do faturamento da Trousseau. De poucos itens, chegamos aos 90 atuais, com tudo para o consumidor usar em casa, como chinelos, pijamas e camisolas”, ressalta a Gerente de Marketing da marca que também conta com a linha Housewear, com produtos para casa, como essências, necessaires e kits para presentear.
Já a Trousseau Petit começa a dar seus primeiros passos sozinha. No fim do ano passado, a marca ganhou uma loja exclusiva no shopping Fashion Mall, no Rio de Janeiro, onde é possível encontrar opções de enxoval para bebês, acessórios e até mesmo roupas. “A Trousseau Petit é um sonho antigo meu. A marca vai fazer dois anos e está crescendo. Começou com uma linha pequena, mais para festa, e hoje tem peças casuais para crianças de até cinco anos”, comenta Adriana sobre a marca que atualmente responde por 6% do faturamento da Trousseau.
 Experiência é vivida nas lojasAlém de encontrar a variedade de produtos da marca, é também nas lojas que os clientes vivem a experiência oferecida pela Trousseau nos mínimos detalhes. Tudo é planejado, desde a temperatura, passando pela ambientação, a disposição dos produtos, o perfume que dá identidade ao ponto-de-venda, até o treinamento da equipe a cada lançamento de produto.
“O atendimento é voltado para a fidelização dos clientes. Fazemos duas ações anuais, no lançamento de inverno e no Natal. Damos brindes para clientes Vips e firmamos parcerias com outras marcas para presentear. O luxo mora nos detalhes”, aponta a Gerente de Marketing da Trousseau.
Outra iniciativa importante é a Trousseau do Bem, que arrecada cestas básicas para entidades sociais e destina parte do faturamento de março para estes projetos. Além de cumprir o seu principal objetivo, a campanha ainda agrega valor à marca. “A Trousseau é uma das poucas empresas brasileiras que alcançaram o patamar de marca emocionalmente conectada com o mercado de luxo. É irretocável o trabalho aspiracional”, diz Ferreirinha em entrevista ao Mundo do Marketing.
O bom desempenho é sinal de que manter a essência é o principal caminho para permanecer com sucesso. Mas é necessário também inovar. “Queremos lançar uma segunda marca, mais jovem, e expandir a Trousseau Petit. Sentimos que os clientes querem comprar para a casa de praia, para a fazenda ou para a própria criança, e devemos fazer isso no segundo semestre, a princípio apenas na loja virtual”, conta Adriana.

Farm faz relacionamento para manter-se amada

Grife carioca de roupas femininas investe em ações com clientes e parcerias com marcas

Por Rayane Marcolino, do Mundo do Marketing 
rayane@mundodomarketing.com.br

“Carioca é mais do que um registro de nascimento, é um estilo de vida.” É esse o lema que a grife feminina Farm leva, por meio de suas roupas, para o resto do Brasil e alguns outros lugares do mundo. A marca, que começou sua história com um investimento de R$1.200,00 na extinta Babilônia Feira Hype - berço de novos talentos da moda carioca no final dos anos 1990 -, hoje conta com 25 lojas e 170 mil clientes cadastradas em seu programa de relacionamento.
A história dos fundadores da marca com a moda começou por acaso. Kátia Barros era contadora e Marcello Bastos engenheiro. O desejo de Kátia de se envolver com moda fez com que eles abrissem uma franquia da grife paulista Mercearia. A empresa deu prejuízo ao casal e essa tentativa frustrada fez com que Marcello desacreditasse no trabalho com franquias de moda. Por isso, hoje, todas as lojas da Farm são próprias. “Temos as nossas crenças e a nossa forma de resolver nossos problemas, mas isso causaria problemas com os franqueados que tivessem planejamentos diferentes”, afirma Bastos, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Mesmo sem esses parceiros investidores, a Farm conseguiu construir uma marca tão forte que atualmente o investimento em cada loja – que deveria ser de R$1,7 milhão -  cai quase pela metade, devido a convites e parceiras com grandes shoppings que consideram a loja um diferencial em seu mix. Foi o que aconteceu com a Farm do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Esta é a loja que mais vende por metro quadrado no centro de compras. Para construir essa força, a marca não investe em campanhas para o grande o público, nem em desfiles nas tão visadas semanas de moda, mas sim em seu programa de relacionamento.
Elas querem Farm
Desde os tempos em que era um pequeno stand na feira de moda, a Farm identificou o seu público-alvo e passou a desenvolver não só as roupas, mas também as estratégias e as ações da marca para mulheres com um perfil determinado: em sua maioria, as clientes da Farm são estudantes universitárias e moradoras da zona sul do Rio de Janeiro. “Não queremos massificar nossa marca, por isso preferimos investir em ações que nos aproximem das nossas clientes, ao invés de tentarmos conquistar novos públicos”, conta André Carvalhal, Gerente de Marketing da Farm, em entrevista ao site.
A loja abriu sua primeira unidade em 1999, mas desde 2005 realiza o programa “Eu Quero Farm!”. As clientes cadastradas ganham um chaveirinho que deve ser apresentado toda vez que elas vão às lojas. As compras servem para, junto com outras informações, traçarem o perfil das consumidoras e ajudar na elaboração de relacionamento. Entre as vantagens de participar do programa estão comunicados, via e-mail, de lançamentos, envio de catálogos, direito a liquidações exclusivas, convites para preview de lançamentos, produtos especiais, newsletter mensal e dicas de looks para cada estação.
Outras ações específicas para determinados perfis de clientes também estão incluídas nessas iniciativas. Como um mini spa montado em parceria com a Biotherm na loja do Fashion Mall, no Rio, que convidou algumas consumidoras para fazerem tratamentos para a pele no local. Já as 50 melhores clientes da Farm foram convidadas para assistirem a uma sessão especial do filme Sex and the City 2. “As nossas consumidoras têm uma relação de carinho com a Farm, por isso nossas ações tentam reforçar essa relação”, diz Carvalhal.
Farm faz relacionamento para manter a marca amadaComunicação para se aproximar
Essa proximidade e o carinho entre a marca e o cliente são reforçados com as ações nas redes sociais. A grife tem um departamento totalmente dedicado ao Adoro Farm!, blog da marca, ao Twitter e ao e-mail Marketing. No Twitter e no blog, a relação fica mais próxima ainda e as internautas comentam sobre os produtos da marca e o atendimento nas lojas. Depois, tudo isso é repassado aos departamentos de Marketing e de criação.
A evolução das iniciativas em redes sociais resultou na criação de um aplicativo para iPhone (foto). A iniciativa fez da marca a primeira grife brasileira de roupas femininas a lançar o seu próprio programa para o aparelho da Apple no Brasil. Nele, a usuária tem acesso ao conteúdo do blog e ao lookbook da marca, que é renovado mensalmente. Agora, a Farm planeja disponibilizar iPads nos pontos-de-venda com imagens do lookbook das coleções.  Os aparelhos se encontrarão em todas as lojas da grife, locais que abrigam grandes ações da marca em todo o Brasil.
Para a Farm, investir em novidades e ações nos pontos-de-venda - que chegarão a 35 até final de 2010 - é fundamental. A empresa testa desde os cabides até o cheiro que as lojas terão a cada mudança de coleção. Essas e outras iniciativas promovem experiências sensoriais e emocionais aos consumidores. Na unidade de Ipanema, os clientes podem escolher até que tipo de música ouvir nos provadores. “As nossas vendedoras também têm que ter o mesmo perfil das clientes, para facilitar o relacionamento”, conta Carvalhal.
Farm faz relacionamento para manter a marca amadaParcerias reforçam conceito
Outra iniciativa que faz sucesso nas unidades da Farm são os “mimos” oferecidos para as clientes a partir de parcerias. Uma ação com a Arcor disponibilizou doces da marca nas lojas da Farm no ano passado e possibilitou também a criação de uma linha especial referente ao dia de São Cosme e São Damião. Também em 2009, a parceria com a marca de sucos Do Bem forneceu as bebidas para as clientes. Outro produto que trabalhou com a Farm foi a cerveja Devassa, que disponibilizou geladeiras com os produtos durante o verão e inspirou a coleção “Coisa Nossa”, que tinha a ver com hábitos brasileiros, como o samba e o futebol. Por essa ligação da cerveja com o futebol, a Devassa volta às lojas Farm durante a Copa junto com a coleção desenvolvida especialmente para o evento.
Farm faz relacionamento para manter a marca amadaJá a coleção de inverno deste ano rendeu uma parceria com o Sonho de Valsa. A união resultou no desenvolvimento de uma sapatilha inspirada nos bombons (foto). “Procuramos o Sonho de Valsa porque ele une os dois temas de nossa coleção: amor e sonho”. Para o verão de 2011, a Sorvete Itália fornecerá picolés de chocolate africano nas lojas.
Embora haja muitos convites para outras parcerias, uma triagem é feita para que todas essas ações sigam o posicionamento da marca. “Só realizamos parceiras com quem tem a ver conosco ou com a nossa coleção. Caso contrário, não aceitamos mesmo que ela seja benéfica financeiramente”, explica o fundador da marca. Enquanto isso, a Farm vai conquistando mais fãs.

Itaú é a marca brasileira de maior valor, R$ 20,6 bi

Ranking da Interbrand tem, na sequência, Bradesco, Petrobras, Banco do Brasil e Skol

Por Bruno Mello, do Mundo do Marketing | 
bruno@mundodomarketing.com.br

O Itaú é a marca mais valiosa do Brasil. Segundo o Ranking Interbrand de 2010, segmentado para o mercado brasileiro, o valor é de R$ 20.651 bilhões. Com o resultado, o Itaú poderia ser a décima sétima marca mais valiosa do mundo, caso atuasse globalmente. De acordo com a listagem mundial desenvolvida pela mesma consultoria, o banco está atrás da Louis Vuitton e à frente de todas as outras instituições financeiras do mundo.
O segmento lidera o ranking no Brasil com o Bradesco em segundo lugar e o Banco do Brasil em quarto. A Petrobras é a terceira marca mais valiosa, com Skol em quinto. Natura, Brahma, Antarctica, Vivo e Renner completam o Top 10. Este resultado reflete a solidez do sistema financeiro brasileiro e, sobretudo, o lucro que os bancos geram, uma vez que o estudo da Interbrand começa baseado em uma análise financeira. Na sequência, o ranking analisa o papel e a força da marca, levando em consideração a receita que é gerada apenas por ela.
Assim como o Itaú, o Bradesco, a Petrobras, o Banco do Brasil, a Skol, a Natura e a Brahma também poderiam figurar na lista das maiores marcas globais da Interbrand, não fosse o fator presença. Nenhuma destas marcas tem atuação global consolidada. Este é uma das características analisadas pela consultoria na formulação da Força da Marca, que sofreu mudanças no último ano e passou a levar em consideração, além da presença, a autenticidade, a clareza, o seu comprometimento, a proteção, a sua capacidade de resposta às ameaças, a sua diferenciação, a relevância, o entendimento e a consistência, um dos principais atributos.
O peso da marca
Esta é a segunda vez consecutiva que o Itaú conquista a liderança entre as marcas mais valiosas do Brasil. No levantamento realizado pela Interbrand na América Latina no ano passado, a marca ficou à frente do Bradesco, do Banco do Brasil, da Petrobras, do Unibanco, da Vale, da Natura, da Vivo, da Gerdau e da Usiminas, respectivamente. “Essas marcas são conhecidas, reconhecidas pelas pessoas e sólidas”, aponta Alejandro Pinedo, Diretor geral da Interbrand no Brasil.
A liderança do Itaú é creditada a dois fatores principais: o ganho que obteve com a integração da marca Unibanco e a redução de custos obtida com a fusão entre os bancos, influenciando no melhor resultado financeiro. Em 2009, o seu lucro líquido foi de R$ 10,1 bilhões, com um crescimento de 29% em relação a 2008. “O peso da marca reflete a confiança que o cliente tem ao aplicar o seu dinheiro”, afirma Fernando Chacon, Diretor de Marketing do Itaú.
 lhões
O papel da marca no cálculo de seu valor entra nas estratégias desenvolvidas pelo Itaú. “Temos uma disciplina de gestão de marca obsessiva”, conta Chacon, em entrevista ao Mundo do Marketing. “Não fazemos apenas propaganda, pensamos nos produtos e nas pessoas que trabalham com a gente para desenvolver um negócio que seja sustentável e que entregue valor para todo mundo”, ressalta o executivo.
 

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Consumo consciente ainda é pequeno, mas vai crescer no Brasil

Brasileiro vem procurando versões mais sustentáveis dos produtos, está mais crítico em relação às empresas e poderá usar a tecnologia para compartilhar informações

Por Gabriella Coutinho, do Mundo do Marketing 
gabriella@mundodomarketing.com.br

O comportamento do consumidor no Brasil vem mudando quando o assunto é sustentabilidade. De acordo com o dossiê elaborado pelo portal UnoMarketing em parceria com a consultoria MobConsult e com a revista Ideia Socioambiental, dois em cada 10 brasileiros já levam em consideração o compromisso socioambiental da empresa antes de colocar um determinado produto no carrinho. O nível de engajamento ainda é pequeno se comparado a consumidores dos Estados Unidos e dos países da Europa, mas a mudança de hábito indica que esses números só tendem a aumentar, principalmente com a utilização de novas tecnologias. 

A pesquisa constatou que nos últimos 10 anos os consumidores brasileiros têm estado mais atentos e críticos em relação às atitudes tomadas pelas empresas. Além disso, eles têm expectativas positivas com relação às empresas que estão 20% acima da média mundial e uma avaliação negativa que está três pontos acima da média de outros países. Há uma desconfiança maior quanto às informações passadas pelo varejo em geral e, de certa forma, essa atitude está atrapalhando a expansão do consumo consciente no país. 

 “A verdade é que o brasileiro põe muita expectativa nas ações das empresas e, ao ver que muitas vezes elas são apenas retórica, ele fica decepcionado. Há um gap muito grande entre o que ele espera e o que fazem efetivamente as empresas”, ressalta Ricardo Voltolini (foto), jornalista e publisher da revista Ideia Socioambiental, em entrevista ao Mundo do Marketing.

De olho na gestão do negócio e nas tecnologias
Não é só na gôndola dos supermercados que o consumidor faz valer o seu papel. A segunda tendência pesquisada pelo dossiê mostra que eles estão mais atentos à forma como as empresas estão trabalhando as questões socioambientais na gestão do negócio. Não adianta investir em projetos sociais voltados para as comunidades e descuidar de suas ações internas. “É preciso apostar na ética. Hoje em dia o conceito evoluiu e não adianta uma empresa ter um projeto social e continuar poluindo. Estamos mais atentos a tudo isso e mais criteriosos também”, resume Voltolini.

As tecnologias estão ajudando a acelerar o processo de adoção do consumo consciente. Nos Estados Unidos, uma ferramenta chamada GoodGuide tem revolucionado o dia a dia dos norte-americanos no supermercado. O aplicativo, que pode ser posto no telefone celular, informa rapidamente ao comprador todos os dados socioambientais do produto na medida em que tem acesso a seu código de barras. Assim, o consumidor saberá se o item pesquisado pode vir a causar danos à saúde ou se há algo ilegal em sua cadeia produtiva, como uso de trabalho escravo. Tudo isso em questão de segundos.  

“Ferramentas como essa vão revolucionar porque trazem a informação instantaneamente. Quando compramos, precisamos de dados claros, rápidos e objetivos. Vamos entrar em um tempo de transparência radical e nós, geralmente, não temos parâmetros para avaliar se um produto é legal ou não em relação ao cuidado com o meio ambiente e com as pessoas. O exercício do consumo consciente induzirá as empresas a mudarem aqui no Brasil também”, diz o jornalista.

Consumo excessivo vira fator de exclusão
As redes sociais, tais como Twitter, Facebook e Orkut, também são grandes canais onde a lógica do ‘comprar excessivamente’ tem sido posta em xeque. Há muitos movimentos pró-consumo nessas ferramentas, mas o que foi observado no dossiê é que também há ações sendo feitas no sentido de despertar um comportamento mais consciente. 

“Detectamos que o consumo excessivo já não é visto com bons olhos. As pessoas estão começando a prestar atenção na geração de resíduos e a pensar nas necessidades de realizar ou não uma compra. O mundo pede que sejamos mais rápidos e, com isso, temos de recorrer a alternativas que possam corresponder a essa rapidez. Embora a tecnologia nos ajude, ela também nos induz a uma obsolescência forçada”, diz Luís Bouabci, especialista em rede da MobConsult.

Smartmobs e geração mais colaborativa
A mobilização via tecnologias tem sido uma tônica nos últimos anos. Um exemplo disso foi o que ocorreu na Espanha, após o atentado na estação de Atocha, em 2004. Vários espanhóis enviaram mensagens via SMS para que todos se reunissem em favor dos mortos. Nessas mensagens, a repetição da palavra “pásalo” (repasse) tornou-se um ícone. O resultado veio dias depois, quando as pessoas se reuniram de maneira espontânea para protestar contra o governo por ter ocultado dados sobre a verdadeira causa do atentado. Os mobs são uma maneira inteligente, segundo Bouabci, de expandir os conceitos e ajudar na difusão de um pensamento mais consciente de consumo.

Além disso, a geração atual, mais ligada na internet e em tecnologias, está crescendo em um ambiente colaborativo. “Troca de dados e mensagens, fóruns e redes de discussão já estão na ordem do dia. O melhor exemplo disso é o Linux e o Mozilla Firefox. Diferentemente da geração que tem 30, 40 anos, os jovens de hoje estão mais dispostos a compartilhar ideias e trabalhar em conjunto”, conta Bouabci.

 Mídia tem papel essencial
Grande parte dos fabricantes ainda não investe na transparência quando o assunto é rotulagem de produtos. Embora o Brasil ainda apresente uma alta taxa de analfabetismo funcional, a tendência é que o consumidor busque mais informações nos rótulos e siga o que está sendo observado no mundo. A mídia, nesse ponto, tem um papel importante para fazer valer essas mudanças.

“O que se vê hoje em dia é que os profissionais de comunicação têm uma grande dificuldade para entender essas questões socioambientais e passá-las por meio de uma ação, de uma reportagem ou de uma campanha. Esse dossiê tem o objetivo de trazer informações para que eles possam entrar em contato com uma comunicação mais consciente e entendê-la melhor”, diz Paula Faria (foto), idealizadora do portal UnoMarketing, em entrevista ao site.


Educação a distância se reinventa e conquista o brasileiro

Metodologias especiais, interatividade e foco no aluno multimídia transformam o segmento

Por Bruno Mello, do Mundo do Marketing 
bruno@mundodomarketing.com.br

A educação a distância está indo longe no Brasil. Somente em 2008, data do último levantamento realizado pela Associação Brasileira de Ensino a Distância, havia mais de 2,6 milhões de brasileiros estudando online. Até o ano passado, o segmento tinha uma oferta de 1.752 cursos. Atualizados para os dias de hoje, estes números podem ser ainda maiores, mas nem sempre foi assim. A baixa adesão até os anos 2000 era reflexo de um modelo que privilegiava a tecnologia em detrimento de uma metodologia própria, o que hoje faz toda a diferença.
O modelo nascido no século XIX viveu por muitos anos atrelado unicamente à tecnologia de sua época. Primeiro, o ensino era difundido por correspondência. Depois veio o rádio, a televisão, o CD, a transmissão via satélite e, mais recentemente, a internet. Como em muitos mercados, a web revolucionou a forma de estudar a distância. Trouxe um mundo de conexões para o segmento, interatividade, mobilidade e flexibilidade, ingredientes fundamentais para o sucesso de escolas especializadas como FGV online e Englishtown e para a aposta de empresas como Petrobras, Vale, Banco do Brasil e Pirelli em seu modelo mais barato e de maior abrangência.
 Mais do que uma plataforma favorável à educação a distância (EAD), a grande revolução está na metodologia. “Durante um bom tempo, o ensino a distância foi visto como de segunda classe porque ele sempre aconteceu a reboque das mídias. Nunca a partir de uma plataforma pedagógica”, aponta Tatsuo Iwata (foto), Vice-Diretor Geral da ESPM-RJ. “Hoje, as instituições estão pensando em como criar programas em que o projeto pedagógico tenha uma metodologia própria, construindo cursos que levem em consideração a linguagem correta”, afirma o especialista no assunto em entrevista ao Mundo do Marketing.
Modelo sofre transformação“O EAD ressurgiu nos anos 2000 com foco no aluno. Antes, o foco era na tecnologia e não pensava no estudante. Usaram o meio como um fim achando que era o suficiente. A tecnologia serve para facilitar a interação entre as pessoas”, ressalta Felipe Spinelli, Gerente Comercial e de Marketing do FGV online. Houve uma transformação no modelo com a entrada na era multimídia e digital, com uma rede como a internet que permite atualização e interação entre as pessoas em tempo real, a partir de uma plataforma social. “Se compararmos o que tínhamos nas décadas de 1960 e 1970, o que vivemos hoje é uma revolução”, completa Persio De Luca, Gerente Geral da EF Englishtown no Brasil.
O que antes se resumia a papel e texto ou apenas a uma voz, hoje ganhou contornos praticamente infinitos. Há texto, áudio, vídeo, trechos de filmes em alta definição, desenho, animação, cases, hipertexto, fóruns de discussão, chats, reconhecimento de voz e já se cogita até o dia em que o professor se materializará na frente do aluno onde quer que ele esteja com tecnologia de realidade virtual. Só o novo método da Englishtown é resultado de nada menos do que US$ 55 milhões investidos em pesquisa e desenvolvimento realizado em Xangai, Zurique e na Universidade de Cambrigde, sem contar os mais de 500 vídeos produzidos com atores e roteiristas de Hollywood. Tudo isso para atender 100 mil alunos, sendo 20 mil corporativos e dar conta de um crescimento de 60% ao ano.
No FGV online, o modelo é semelhante a uma turma tradicional. Cada um de seus cursos de graduação e pós-graduação segue um formato de grupo de alunos que fazem trabalhos juntos e chegam a trocar até 500 mensagens em dois meses, tempo de duração de uma disciplina. A escola tem 19 cursos de Marketing, entre programas de curta duração e uma pós-graduação. Em 2000, a plataforma online de uma das instituições de ensino mais tradicionais do país tinha 16 funcionários e formava dois mil alunos por ano. Hoje, a equipe conta com 200 funcionários para atender a 40 mil alunos por ano em cursos pagos.
 Modelos para o desenvolvimento
Há um ano e meio, o FGV online criou uma versão de cursos gratuitos. Neste período, o projeto foi acessado por dois milhões de alunos, dos quais 400 concluíram uma disciplina. Até pouco tempo atrás 2/3 dos clientes eram corporativos. Hoje, 50% são conquistadas no varejo com estratégias de Marketing segmentadas. “As pessoas e as empresas estão confiando e valorizando mais o ensino a distância. O EAD aproxima as pessoas que não têm mais tempo de se deslocar em grandes cidades como Rio e São Paulo. Com ele, você ganha flexibilidade e mobilidade”, conta Felipe Spinelli (foto), do FGV online.
A educação a distância é vista como um dos motores de transformação educacional do Brasil, capaz de colocar o país em outro patamar de desenvolvimento. A utilização da metodologia ganha um empurrão com a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Uma parceria entre a Fundação Roberto Marinho e o Ministério do Turismo deu origem ao projeto Olá, Turista!, cujo objetivo é qualificar profissionais ligados ao trade turístico. Um dos treinamentos é na língua inglesa, realizado pela plataforma da Englishtown, a mesma utilizada na China para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
O Olá, Turista! será implementado em seis cidades-sede da Copa de 2014, com capacidade para atingir até 80 mil profissionais de turismo. Desde o início, no ano passado, já atendeu 500 participantes no Rio de Janeiro e em Salvador. Estudar a distância é um caminho sem volta. “Hoje os adolescentes já estudam com a TV ligada, com o iPod no ouvido e falando com os amigos pelo MSN ao mesmo tempo. É um público mais preparado para receber esta metodologia”, explica Tatsuo Iwata, da ESPM, cujo modelo é direcionado apenas a cursos oferecidos para empresas e está criando um núcleo de estudos para implementar o EAD para o varejo.
Modelo presencial será mantido
A ESPM atua desde 2000 no segmento corporativo. Já treinou funcionários da Embratel e da Vivo em cursos focados em Gestão e Marketing, com aulas de negociação, estratégia, Marketing de serviço e empreendedorismo. Ao todo, a escola já deu aula para cerca de seis mil pessoas online. “As empresas usam porque estão presentes em boa parte do país e, com o ensino a distancia, conseguem ter capilaridade”, aponta Iwata.
 O avanço da educação a distância não significa que as aulas presenciais deixarão de existir. “O curso online oferece uma flexibilidade muito grande. O caminho não é um curso 100% virtual, o presencial não vai acabar de forma alguma, mas cada vez mais as pessoas estão ocupadas e não conseguem estar dois dias da semana em uma sala de aula. Por isso flexibilidade é a grande chave deste modelo”, avalia Spinelli, do FGV online. “Você pode estar com a sua família ou viajando. Muita gente que trabalha com Marketing estuda na FGV online porque é impossível garantir que esteja em uma sala sempre. O foco não é estar dentro da sala de aula, mas obter conhecimento”, pondera o executivo.
O desafio do Marketing é identificar momentos para levar o conteúdo certo no momento certo. “O aumento de alunos nos últimos anos está relacionado com uma percepção de que o EAD é mais atraente do ponto de vista de custo”, informa Persio De Luca (foto), da Englishtown. Um curso de EAD chega a ser 50% mais barato do que os cursos tradicionais. “Além da questão do custo, as empresas buscam produtividade e eficiência nos investimentos. O EAD traz benefícios para todo mundo que precisa de um treinamento”, garante em entrevista ao Mundo do Marketing.
Ainda existe uma grande oportunidade para o e-learning na medida em que ele é misturado ao conceito de redes sociais. O Englishtown Friends é uma plataforma própria da escola de idioma que conta com uma comunidade que permite às pessoas que têm interesse em praticar o inglês encontre outras com o mesmo objetivo. Elas se falam por meio de chat, têm blog, fórum e ferramentas de comunicação com áudio e vídeo. “Certamente teremos um boom nos próximos anos também com os dispositivos móveis”, adiciona De Luca. “O Ipad como dispositivo para e-learning é uma realidade. Os netbooks também são extremamente convenientes”, completa o Gerente Geral da empresa no Brasil. “Todos nós já fazemos ensino a distância. Se temos uma dúvida vamos no Google e podemos cair na Wikipédia”, reconhece Spinelli, do FGV online.

Marketing cresce no terceiro setor e gera cases

AACD, SOS Mata Atlântica e Ação Comunitária mostram que é possível utilizar o conceito para promover o bem

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing 
sylvia@mundodomarketing.com.br

O Marketing ainda é encarado com certa resistência por muitas instituições do terceiro setor, especialmente as pequenas e médias. Mas há exceções. As estratégias e ferramentas vêm ganhando espaço em organizações sem fins lucrativos como AACD, SOS Mata Atlântica, Ação Comunitária e Tucca, que percebem que investir em ações de Marketing é uma alternativa eficiente para conquistar novos apoiadores às causas defendidas.
 Disseminar o conceito, no entanto, é um desafio. Se por um lado termos como “marketeiro” soam até mesmo de forma pejorativa, por outro, há resistência por parte das próprias organizações na hora de aplicar a verba, que poderia ser utilizada diretamente a favor da causa, em ações de Marketing. Para grandes associações do terceiro setor, como Greenpeace e WWF, a estratégia já faz parte do trabalho, o que está longe de acontecer para a maioria.
A AACD foge à regra. Além do famoso Teleton, transmitido anualmente pelo SBT, no ano passado, a Associação de Assistência à Criança Deficiente executou mais de 500 ações de publicidade e Marketing em parceria com cerca de 20 agências e produtoras. As iniciativas contribuíram para ampliar em 15% o número de atendimentos realizados em relação a 2008. Um dos principais elementos utilizados pela AACD é o Marketing Direto, para estabelecer relacionamentos duradouros e de afinidade com seus doadores.

Em agosto, a AACD completa 60 anos de existência e pretende desenvolver ações para comemorar a data. A estratégia está voltada para a história da associação e também presta contas dos recursos doados e utilizados nas nove unidades da instituição que atendem cinco mil pessoas diariamente. Uma iniciativa já posta em prática é o projeto Unique Types, feito em parceria com a AgênciaClick, que convida grandes nomes da publicidade brasileira a promoverem a AACD.

 Marketing deve estar presente no terceiro setorIndependente do porte de cada instituição, o Marketing pode e deve ser aplicado. “Muitas ONGs já utilizam o Marketing porque têm planejamento, se reúnem, fazem divisões de tarefas e escolhem o mercado em que atuar”, aponta Sydney Manzione (foto), professor de Marketing da ESPM e autor do livro Marketing Para o Terceiro Setor, em entrevista ao Mundo do Marketing.
É o que acontece no Grupo Socorrista Irmão Alberto (GSIA). Há 22 anos, a instituição atua em São Paulo junto a famílias carentes para amparar idosos, crianças e enfermos. “O que nos diferencia de outros grupos espíritas é a formação acadêmica. Sou formada em Ciências da Comunicação e a Eudosia (Acuña Quinteiro, Presidente do Grupo) é fonoaudióloga e mestre-doutora em artes cênicas”, conta Leda Yukiko Matayoshi, Vice-presidente do GSIA, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Assim como a maioria das organizações, um dos principais braços do GSIA são os eventos que realizam. Os almoços mensais servem para captar recursos para a instituição, mas são, principalmente, encontros estratégicos. É o momento em que as pessoas são envolvidas com o trabalho realizado, conhecem os projetos, como doação de alimentos, produtos de higiene, material escolar e agasalhos, e dão sugestões.
Verba oscilante impede planejamento de Marketing
Apesar de não ter um planejamento estratégico no papel, o Grupo sabe aonde quer chegar, planeja os passos e conta com agências parceiras para produzir cartazes, newsletters e programar ações pontuais. “Não fazemos um plano de negócio como uma empresa porque a verba é extremamente oscilante e, em primeiro lugar, vem a causa. Mas falta conhecimento no terceiro setor. As pessoas aprenderam que Marketing é para vender. Acredito que é a ciência de organizar ideias em busca de resultado”, diz Leda.
Os parceiros são fundamentais para as organizações. A F/Nazca assina uma das ações recentes da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, a Tucca. No Dia das Mães, os internautas puderam doar R$ 10,00 e participar da campanha “Um pedacinho do céu pela cura do câncer infantil”. Quem colaborava ganhava uma nuvem virtual para customizar com uma mensagem e enviar para a mãe.
A Havaianas também é parceira da Tucca. Desde 2005, a ONG comercializa uma linha exclusiva da marca, a “Havaianas pela Cura”. A iniciativa está em sua terceira edição, conta sempre com mil pares assinados por um artista plástico e tem o total das vendas revertido para os programas da Associação. A coleção atual é assinada por Rodolpho Parigi.
 Terceiro setor tem canais de relacionamentoAo contrário da grande maioria das organizações do terceiro setor, a Ação Comunitária destina uma parte da verba para ações de Marketing. Há 43 anos realizando um trabalho de inclusão social, a instituição sabe da importância de aplicar o conceito e ter uma estratégia para o sucesso do projeto. “O Marketing social tem uma função diferente do de mercado. Você mobiliza em torno de uma causa. Os canais de venda são, na verdade, canais de relacionamento”, compara Anatricia Borges, Gerente de Relacionamento e Mobilização de Recursos da Ação Comunitária, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Uma das iniciativas da Ação Comunitária para arrecadar verba é a comercialização de brindes corporativos há mais de 10 anos. Em 2010, a novidade é a linha feita com materiais sustentáveis com o tema Copa do Mundo. São peças como camisetas, bonés, canecas, mochilas, squeezes, mouse pads e chaveiros nas cores verde, amarelo, azul e branco que fazem referência ao mundial. O catálogo também conta com as linhas Office, Lazer, Ecológica e os “brindes criados com arte”, feitos com ilustrações das crianças e jovens atendidos pela Ação.
A organização mantém ainda uma loja virtual que apresenta o catálogo de brindes e os cartões de Natal. A expectativa para este ano é definir ainda mais o orçamento de Marketing e comunicação e potencializá-lo para empreender mais ações. “Nossa verba para Marketing é apenas 10% do orçamento da área de relacionamento. Se errarmos, perdemos dinheiro. Por isso buscamos ir direto ao alvo”, conta Anatricia.
 Eventos aproximam potenciais doadoresNeste caso, o alvo são os potenciais doadores. Para isso, os eventos são uma ferramenta bastante eficaz. Em setembro acontece o V Torneio de Golfe Ação Comunitária, no São Paulo Golf Club. “É o único evento neste formato que desenvolvemos. Alcançamos um público de empresários que nos interessa e ajuda a criar valor para as marcas que estão apoiando”, diz a Gerente de Relacionamento da Ação Comunitária.
A Fundação SOS Mata Atlântica também sabe da importância de manter um relacionamento duradouro com quem defende a preservação do meio ambiente. No último fim de semana, nos dias 21, 22 e 23, durante o Viva a Mata, a organização lançou oficialmente a Conexão Mata Atlântica. A novidade é uma rede social da ONG em que os interessados podem se cadastrar, trocar experiências e participar de fóruns e eventos on-line que discutem questões ambientais.
O investimento em ações de Marketing faz parte da história da ONG, que nasceu em 1986 e tinha em seu grupo de fundadores não só biólogos, ambientalistas e advogados, como também jornalistas e publicitários. Uma das primeiras ações da SOS Mata Atlântica reproduzia a bandeira do Brasil sem uma parte do verde, foi responsável por levar o tema da devastação para o dia a dia dos brasileiros e até hoje é utilizada como logo da fundação.
Conexão para manter relacionamentos vivos
Conexão Mata Atlântica pretende levar para a internet, durante todo o ano, o que o Viva a Mata faz por um período. “O Viva Mata reúne organizações que expõem seus projetos em estandes temáticos. Ao mesmo tempo em que apresentam as iniciativas ao público, os participantes trocam informações com outros expositores. Sentíamos necessidade de levar este espírito para a comunidade. Mapear e manter relacionamentos vivos durante todo o ano”, explica Ana Ligia Scachetti, Diretora de Comunicação da SOS Mata Atlântica, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Apesar de exemplos como esses, ainda há um caminho longo a percorrer para que as ONGs se profissionalizem e os profissionais de Marketing possam ser remunerados pelos trabalhos realizados para o terceiro setor. Por enquanto, a recompensa vem na sensação de dever cumprido e também no aprendizado que este tipo de projeto pode agregar.
“Se o profissional quer fazer Marketing no terceiro setor com intuito de ganhar dinheiro não vai conseguir, porque o segmento não fornece. A vantagem é que o executivo que tem experiência neste setor saberá trabalhar com orçamentos apertados e exercitar a sua criatividade ao máximo, conhecendo mais a fundo a operação do próprio Marketing”, acredita Manzione, especialista em Marketing para o Terceiro Setor.
http://www.conexaososma.org.br/Executivos mais conscientes e responsáveis
Essa experiência é oferecida pela ESPM, com o projeto ESPM Social. A ideia é resultado da iniciativa de alunos no final dos anos 1990 e se concretizou em 2001. De lá para cá, a entidade vem crescendo com o envolvimento dos estudantes em trabalhos voluntários, tendo a oportunidade de aplicar na prática o que aprendem durante as aulas.
Em quase 10 anos de existência, a ESPM Social envolveu diretamente 550 alunos e contou com 1.750 inscritos em seus processos seletivos. Ao todo, foram 77 ONGs atendidas e 430 inscritas. Oito comunidades foram beneficiadas com projetos de geração de renda e 42 entidades favorecidas com eventos. Os projetos de geração de renda atuam em comunidades de baixo IDH e utilizam as ferramentas de Marketing para potencializar pequenas iniciativas econômicas que possam contribuir para o local, como o desenvolvimento do ecoturismo.
O outro braço da ESPM Social é a consultoria de Marketing para ONGs, que utiliza o conhecimento dos alunos para promover pequenas organizações que não têm visibilidade. “A iniciativa da ESPM Social visa fundamentalmente a formação desse executivo que lá na frente desempenhará um papel decisivo. É um projeto pedagógico. Queremos formar um gestor de empresa mais consciente e responsável”, relata Carlos Frederico Lúcio (foto), Coordenador da ESPM Social.

Banco do Brasil e Caixa conquistam clientes com Marketing Esportivo

Bancos estatais apostam no esporte para rejuvenescer suas marcas

Por Thiago Terra, do Mundo do Marketing 
thiago@mundodomarketing.com.br

O esporte remete à juventude, saúde e bem-estar. Quando o Marketing se une a atividades esportivas, o resultado é, na maioria das vezes, positivo. Por isso, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal patrocinam modalidades esportivas e fazem do Marketing Esportivo a ferramenta ideal para se manterem jovens, saudáveis e bem preparados para buscar e conquistar novos clientes.
O BB iniciou o investimento em Marketing Esportivo por necessidade, já que uma pesquisa da Research International, em 1989, mostrou que a base de clientes do banco tinha faixa etária entre 50 e 65 anos, contra a média de 30 e 49 de toda a base de clientes do sistema bancário. Ou seja, caso o Banco do Brasil não renovasse sua clientela, o risco de perder participação no  mercado era alto.
O "Plano de Conquista do Público Jovem" deixou claro que o esporte era a saída mais fácil para chegar aos jovens. Na Caixa Econômica Federal a história se repete. Toda a estratégia de Marketing Esportivo serve para rejuvenescer a marca, vincular a presença da CEF no esporte nacional e direcionar a atuação comercial a todos os brasileiros.
Marketing Esportivo rejuvenesce marcas do GovernoBanco em primeiro lugar
O sucesso do Marketing Esportivo do Banco do Brasil não está caracterizado apenas pelos ginásios lotados em jogos do time de vôlei do Brasil. Uma pesquisa feita pela Market Analisys Brasil em 2009 aponta o BB como a marca mais lembrada entre as empresas que estão ligadas aos esportes no Brasil. Com 15,9%, o Banco do Brasil saiu da terceira posição em 2008, quando obteve 12%, para assumir a liderança do ranking.
Em segundo lugar nos dois estudos está a Nike. A outra empresa nacional que está presente no ranking é a Petrobras. Em 2008, a estatal era líder em lembrança do consumidor e hoje ocupa a quarta posição. “Foi uma decisão estratégica de rejuvenescer a marca a trazer o público jovem. Hoje, a faixa etária dos clientes do banco tem média de 41,5 anos”, explica Hugo Paiva, Gerente Executivo de patrocínios de esporte do BB, em entrevista ao Mundo do Marketing.
A história do Marketing Esportivo do BB começa em 1991. O patrocínio ao vôlei de praia originou o Circuito BB de Vôlei de Praia. De lá para cá, o banco investiu e estampou sua marca nas seleções brasileiras de vôlei de quadra e de futsal e fechou contrato com a Confederação Brasileira de Ciclismo. Além disso, o BB é patrocinador dos iatistas Robert Scheidt e Bruno Prada; dos jogadores Giba (vôlei) e Falcão (futsal); do ex-atleta  Gustavo  Kuerten, do Instituto Gustavo Kuerten e de seus projetos de desenvolvimento do tênis. A  Escola de Vôlei do Bernardinho e ex-medalhistas olímpicos completam a lista de investimento em Marketing Esportivo do Banco do Brasil.
Marketing Esportivo rejuvenesce marcas do GovernoCEF incrementa investimento
Já a Caixa Econômica realiza um processo de incremento na atuação em Marketing Esportivo desde 2001 e hoje possui uma gerência específica para responder pelos contratos de patrocínio. A partir de 2004, a CEF intensificou sua presença em esportes de carona no ano em que as Olimpíadas aconteceram em Atenas, na Grécia.
O bom rendimento do Brasil naquele ano inspirou a Caixa a investir no Comitê Paraolímpico Brasileiro. Em 2005, o banco fechou o patrocínio aos jogos PanAmericanos e na temporada seguinte foi a vez da ginástica artística, rítmica e do trampolim entrarem para o time da CEF. “Ano a ano incrementamos os patrocínios”, afirma Gerson Bordignon, Gerente Nacional de Promoções, Cultura e Esporte da Caixa, em entrevista ao portal.
A Caixa Econômica tentou ir além. O objetivo do banco era patrocinar o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, mas a entidade - e nenhuma outra - não poderá ser patrocinada quando esta for a organizadora do evento, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI).
Planejamento para 2010
O retorno sobre as ações de Marketing Esportivo da CEF não visam somente a evidência da marca do banco. A empresa governamental investe não só em atletas de alto nível, como também em esportes amadores e jovens talentos. Prova disso são os 20 centros de excelência para treinos de ginástica para descobrir novos atletas pelo Brasil. “Toda esta estratégia serve para rejuvenescer a marca, vincular a presença no esporte com a atuação comercial e trazer cada vez mais clientes jovens”, aponta Bordignon.
O critério usado pela CEF para escolher atletas e modalidades para patrocinar é feito a partir de uma análise da Confederação baseada em seu índice e a escolha de uma categoria é feita pelos resultados do rendimento dela. Apesar disso, desde 2007, o banco não amplia o número de modalidades patrocinadas. Nem em ano de Copa do Mundo a CEF se inspirou em novos contratos. “Este ano pretendemos sedimentar alguns programas. Não vamos ampliar modalidades e sim dar suporte para o treinamento dos atuais atletas”, explica o Gerente Nacional de Promoções, Cultura e Esporte da Caixa, ao site.
No Banco do Brasil, as ações de Marketing Esportivo geram relacionamento com colaboradores e clientes. O Circuito BB de Vôlei de Praia é o grande instrumento para estas ações. O banco oferece todo ano um campeonato interno de vôlei para seus funcionários. A instituição oferece ainda um espaço reservado para seus clientes em jogos oficiais do Circuito BB de Vôlei de Praia. O encontro entre as duas modalidades ocorre justamente na final do campeonato de vôlei. Tanto o interno quanto o Circuito. “A final dos dois campeonatos acontece na mesma data e local. Esse ano será em Búzios, no Rio de janeiro”, conta Paiva ao Mundo do Marketing.
Para o Banco do Brasil, o retorno do investimento em Marketing Esportivo é mais do que estampar a marca em um uniforme. “Ser a marca mais lembrada do esporte hoje é um resultado fantástico”, diz Hugo Paiva, do BB. Em troca, o banco é autorizado a usar a imagem de atletas em campanhas publicitárias, como é o caso de Giba, jogador da seleção de vôlei e garoto propaganda do Banco do Brasil, e o iatista Robert Scheidt, que empresta sua imagem para o serviço Estilo do banco.

Economia brasileira ajuda na reputação de marcas

Países em desenvolvimento estão dispostos a pagar mais por produtos verdes e utilizam mais as redes sociais do que as populações ricas

Por Rayane Marcolino, do Mundo do Marketing 
rayane@mundodomarketing.com.br

Trabalhar com as redes sociais e investir em ações sustentáveis são praticamente obrigações para as marcas que querem se destacar nos dias de hoje. Por outro lado, as relações entre esses dois fatores e a economia dos países é um assunto ainda pouco explorado, apesar de sua extrema necessidade para o entendimento do perfil do público alvo de cada empresa em seu local de atuação.
A comparação entre o perfil dos internautas norte-americanos e o dos moradores dos países do Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – mostra como é as mudanças que estão por vir no comportamento, hábito de consumo, estilo de vida, consciência e confiança relacionados aos nativos desses países.  O Brasil e a Índia registram maiores porcentagens do uso de redes sociais que os Estados Unidos. Na América do Norte, porém, esses canais são um grande negócio e mais pessoas ganham a vida com blogs do que desenvolvendo softw ares.
“Hoje cada vez mais todos têm as informações e produtos em suas próprias mãos. Isso revela muito sobre os consumidores, mas deve despertar a atenção das empresas que têm a obrigação de investir nessas ferramentas”, explicou Jonh Low, co-Fundador da Predictiv LLC, empresa que trabalha com a avaliação de ativos intangíveis, durante a 14th International Conference on Corporate Reputation, brand, identity and competitiveness realizada pelo Reputation Institute, no Rio de Janeiro, na última semana.
Países do Bric são mais confiantes e conscientes
Uma pesquisa realizada pela Predictiv LLC mostrou que as empresas dos países em desenvolvimento registram os maiores índices de crescimento de reputação das suas empresas em todo o mundo.  “Isso tem muito a ver com a confiança que esses povos têm ganhado em sua economia”, afirma o executivo norte-americano.

Como exemplo de trabalho de reputação bem sucedido no Brasil, Low cita a Petrobras. “A petroleira soube lidar com o afundamento da plataforma melhor do que a British Petroleum tem lidado com o acidente que causou vazamento de óleo”, conta Low, comparando com a britânica que viu suas ações caírem 23% desde o acidente ocorrido no Golfo do México no final do mês passado.

Para que a Petrobras conseguisse manter a sua reputação após o incidente, a empresa prezou pela transparência e essa, segundo Jonh Low, é uma das ações mais importantes para que uma marca consiga alcançar boa reputação. Por isso mesmo a própria Britsh Petroleum prometeu transparência sobre a catástrofe. Atrás desse fator estão a confiabilidade da empresa, a qualidade de produtos e serviços, a frequência com a qual ela se comunica com o público e a forma como trata os funcionários. “Quando a confiança do consumidor é abalada, a empresa vê suas ações caírem rapidamente e fica muito difícil de reconstruí-la” afirma o fundador da Predictiv LLC.
Sustentabilidade nas redes sociaisOutra característica dos países do Bric é que esses consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos verdes do que os habitantes de países mais desenvolvidos. Lideram esse ranking a China e a Índia, enquanto os Estados Unidos se encontram entre as últimas posições. Ainda sobre sustentabilidade, a pesquisa mostra que 71% das empresas em todo o mundo publica informações sobre ações sustentáveis em seus sites.
 Um estudo apresentado por Courtney Barnes, Vice-Presidente e Diretora de Estratégia da MH Group Communications, também afirma que os países que mais usam as redes sociais são os mais dispostos a pagar mais para adquirir produtos verdes. Para a executiva, uma empresa deve trabalhar a sustentabilidade da mesma forma que deve monitorar as redes sociais que utiliza.

Courtney afirma que seu trabalho é convencer clientes tradicionais a investirem em mídias sociais e no quanto elas são importantes para a vida daquela empresa. “Nos Estados Unidos, isso é essencial porque o uso desse tipo de ferramenta é maior para a pesquisa de informações sobre produtos e serviços. No Brasil, esse uso tem característica mais pessoal”, afirma Courtney. “Mas as empresas brasileiras devem ficar atentas porque a busca por serviços nas redes tende a aumentar”, garante, baseada em dados da pesquisa de que 79% das 100 maiores empresas globais participam de pelo menos uma rede social.